Segunda-feira, Novembro 23, 2009






Eu fiquei pensando, olhando através de uma grade de janela que as vezes o que quero são coisas tão simples.
Talvez elas sejam tão simples que possam parecer besteiras para a pessoa que não seja eu.
Eu queria saber dançar todas as músicas, em todos os passos.
Não queria ser a melhor bailarina, nem a perfeita. Só queria saber dançar as músicas que a vida toca pra mim.
Queria poder voltar pra casa e que tudo estivesse no lugar.
As flores regadas e cultivadas.
Que o curativo do meu pé, o que segura as minhas bolhas para poder calçar os sapatos, também service para remendar alguns outros estragos...
Foi isso que eu pensei enquanto olhava pela grade da janela.


Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Sabe qual é o pior frio?
Aquele que você sente na alma, ou é no coração?
É um frio que te arrepia os pelos do corpo, te faz bater o pé, olhar sem direção.
Sentir um nó na garganta, um choro com gemidos, gritos, tudo isso escondido.
É um frio que te deixa com medo, te põe num canto sem teu corpo estar.
Sentir tudo bagunçado, teu guarda-roupa, tua cama, teu caderno, tua bolsa, quando na verdade a bagunça está dentro de você.
É sentir que mexeram no seu castelo, mesmo que fosse de areia, era o seu castelo.
Você estava "construindo" seu conto, escrevendo entre as linhas, mesmo que fosse tortas ainda, uma história.
Eram potes, xícaras, pratos, copos, sabonete, toalhas...
Dias olhando pro teto, alguns sem fazer nada, alguns inventando o quê fazer.
Estradas, algumas com paradas.
Camas jogadas.
Os amigos antigos, aqueles de verdade, daqui, feliz da tal junção.
Dias no calendário que foram contados.
Chuveiro ligado.
O cabelo que fica claro.
Os pés que no vidro dança.
O teu tudo que era um nada sem intenção.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

"Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."

Vinícius de Moraes

É bom ter amigos, velhos amigos.
Ver eles envelhecerem, os fios brancos dos seus cabelos aparecer e se sentir envelhecer ao lado. Envelhecer junto. É o sabor da vida, é o sabor de uma amizade.
Assisti-los ser pai, amigo, estar junto de você.
Preenche o ser.
É bom fazer amigos novos.
É bom ser seu próprio amigo.

Nesta foto acima eu estava com um amigo, um amigo de anos, muitos anos.
Eu estava admirando os fios brancos dos seus cabelos que agora começam a aparecer e pensei comigo mesma " Caracas! Que sorte a minha de poder ver os cabelos brancos dos meus amigos nascer e ainda estar envelhecendo junto a eles. Deus é muito bom comigo mesmo!".
Neste momento quando eu pensava Deus ser bom comigo, eu ser muito abençoada, eu fui dar um abraço neste amigo e foi quando este pássaro pousou em nossa mesa, beslicando meu pão.

-Por favor senhor pássaro, não se sinta incomodado, és mais que bem vindo por aqui.

Eu pensei ser muito abençoada. Ter muita sorte.

Estávamos falando sobre ser pai, de como a noite escurece e a cadeirinha na varanda.
Eu nunca tive pai, nem sei como é ter um, mas me lembrei de todos os pais maravilhosos que eu já conheci e me senti feliz por esses filhos ou filhas serem amados.
Eu sei que tem um pai que me ama e é bom comigo, eu sinto o seu amor a cada vez que me toca.
Quando meu coração está pequeno, quando minha alma por algum motivo quer sentir raiva, ele não deixa. Ele me faz ver através dos seus olhos, ele me preenche com o seu amor. Ele me faz acreditar que eu possa ser melhor.

Eu agradeci a este amigo por ele ser este pai, por ele ser este ser humano.

Ficamos olhando o pássaro e eu pedi para que ele não se mexesse para eu conseguir esta foto, o pássaro nao nos temeu.
Depois me vieram as dúvidas, como eu poderia saber quem era o macho ou a fêmea?
Olha a resposta:

"O macho é aquele, o mais bonito com a faixa vermelha nas costas. Ele é o mais bonito porque tem que seduzir a fêmea."

E eu:
-Ahhhhh!

Mas o correto é que se dá para saber a diferença em quem está sempre trabalhando, este pássaro se chama "Cacique" e o macho é muito preguiçoso. É a fêmea quem faz tudo.

"Cada um acredita no que quer".


"Se eu deixar de sofrer como é que vai ser pa me acostumar
Se tudo é carnaval eu não devo chorar pois eu preciso me encontrar
Se eu deixar se sofrer como é que vai ser para me acostumar
Se tudo é carnaval eu não devo chorar pois eu preciso me encontrar
Sofrer também é mericimento
Cada um tem seu momento
Quando a hora é da razão
Alguem vai sambar comigo
E o nome eu nao digo, guardo tudo no caração"
Caetano Veloso

Alguns em uma infância remota assistiram ao desenho do Pica-Pau, e em um dos seus episódios ele tentava descer umas cataratas em um barril. Só que suas tentativas eram desastrosas e quem sempre acabava descendo as cataratas em um barril era o guardinha. Sempre que ele passava por uma altura das cachoeiras tinha uns homenzinhos com capas amarelas, igual a essa que estou usando e sofri para conseguir. Os homenzinhos de capa amarela gritavam:
-Eeeeeeeeeee!
O Pica-Pau desce as cataratas fez tanto sucesso que uma galera em São Paulo se reuniu na frente do MASP, na Avenida Paulista vestindo capas amarelas e toda a vez que passava um carro eles gritavam:
-Eeeeeee!
Eu sai desesperada por uma capa amarela. Não tinha em nenhum lugar, nem para vender, alugar ou dar. Foi quando de longe eu avistei uma! Sai correndo e pedi emprestada para o guia, somente e exclusivamente para esta foto.
Era o meu momento, o momente da "Larissa desce as Cataratas".
Eu até gritei um "Eeee".
Estes dois videos estão disponíveis no youtube.


"Chove chuva, chove sem parar"




"A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados."
Mahatma Gandhi


"A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem."
Arthur Schopenhauer
Este é um filhote de Quati, ele passeava entre as pessoas e mexia em suas sacolas.
Chegou a roubar o picolé de um menino.
Teve um moleque muito abusado que quase conseguiu chutar o rabo dele, quase.
Eu ensaiei um grito.
Fiquei pensando depois como aquele garoto era como ser humano e o que seria quando pai?


Quem lembra do seriado do Chaves no canal do SBT? Quem sempre passava ao meio dia quando chegávamos da escola.
Tinha o Doutor Chapatim, e ele sempre tinha um saquinho na mão que nunca se descobriu o que havia dentro.
Eu não tinha bolsa então reuni minhas poucas coisas dentro deste saquinho, pra mim o saquinho do Doutor Chapatim.
Eu carreguei meu All Star, minha máquina, um par de meia e só.
No meu corpo eu carregava um vontade de correr, e na minha alma uma vontade de voar.




Que eu ande,
Que eu ande sem medo
Que meus passos sejam meu guia
Que meus pés me guiem
Que eles não cansem
Que ande mesmo que com bolhas
Que meus olhos possam ver e
Que meu coração sinta por onde eu pisar.
Larissa Berbigier

"A paz não é chegada. É o caminho."
Gandhi




Esta foto de cima se deu a essa de baixo. E o meu dedo foi proposital. Eu a quis assim.
"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
-Qual é o gosto?
Perguntou o Mestre.
-Ruim.
Disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:
-Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
-Qual é o gosto?
-Bom!
Disse o rapaz.
-Você sente o gosto do sal?
Perguntou o Mestre.
-Não.
Disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse: Ador na vida de uma pessoa é inevitável. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então, quando você sofrer, a única coisa que você deve fazer é aumentar a percepção das coisas boas que você tem na vida. Deixe de ser um copo. Torne-se um lago."


Los "ermanos"
Do outro lado fica a Argentina, ali está a sua bandeira.

Estes botes são os que se pega para fazer a atressia pelas águas do Rio e para dar uma breve passada pelas Cataratas. Você sai todo mollado, já na entrada te dão uma capa de chuva transparente, por isso eu lutei muito por uma amarela.
Mas a água quando te toca é incrível, ela é gelada, é tudo muito rápido e tu por um instante já grita como uma criança:
-De novo!

Estes foram os novos amigos que fiz, Dona Cristina e seu Alfredo ou melhor Jujuba de Juju Bart, o apelido carinhoso que o seu Alfredo,o Mamute a colocou.
Ele contava piadas de argentinos hilárias.




Sinceramente? Nem sei o que comentar desta e nesta foto.
A fotografia é bem bonita, eu também gostei muito quando a vi. Eu gostei exatamente da Silvana, o nome dela é Silvana, parada olhando para o nada. Eu sai correndo e quis essa fotografia pra mim, porque eu estava como o olhar da Silvana...
Eu tinha que fazer parte desta fotografia, porque esta fotografia estava sendo eu por um lado.
Como o texto do lago acima.

Estava chovendo quando fomos voar no helicóptero, eu não senti nada de medo.
Confesso que um pouco de enjôo, mas se Deus mora no céu eu estaria chegando perto da sua casa.



Nós também temos a nossa Aurora Boreal. O que se ouvia era só a música das cachoeiras.



No outro dia mais uma caminhada, um mate paraguayo, meus pés na famosa Garganta do Diabo e esta linda borboleta que pousou para mim.
Eu consegui!
Eu fiz trilhas aonde tinha borboletas incríveis. Algumas que eu nunca tinha visto. Elas pousam em você, mas quando eu ia tomar a foto "Puf!" elas voavam.
Eu brinquei no meio delas, mas não consegui tomar nenhuma foto além dessa.
Eu entendi que mais vale você ter na sua recordação da emoção os seus momentos do que uma imagem congelada.
Eu desisti de tomar as fotos e fiquei brincando no meio delas.

A vida é com certeza feita de momentos, eu estou completamente ensopada nesta foto.
Foi o meu momento.
Num outro momento anterior eu quase me esqueço de brincar com as borboletas, pois queria fotográfalas.
Quando você está vivendo algum sentimento, você realmente deve viver isso, ser fiel a isso que senti. Seja ele qual for.
Se for um amor, viva ele, sinta ele, respeite ele dentro de você e o respeite também.
Respeite os teus sentimentos e os sentimentos alheios.
Dê o seu melhor quando se tratar de amor.
Se for uma dor, cresça com ela, mas não a deixe crescer. Tente observar de onde ela nasceu, e tente fazer melhor amanhã.
Não se consuma em raiva, ódio, existe coisas bem melhores a brotar dentro de você.
Se você cultivar isso não conseguirá tomar a foto das borboletas e tão pouco brincar com elas.
Se for alegria, mesmo que momentânea, pula, brinca com ela.
Eu agradeço ao meu amigo, ao bom pai, ser humano que és e pela oportunidade de me deixar ver tudo o que vi. Sentir a água da cachoeira no rosto, o banho de chuva, andar descalça, com um saquinho na mão, o pássaro que pousou, a boa conversa, a ótima companhia que foi.
Me deixar em um quarto gigantesco sozinha e numa cama de solteiro, assim eu pude pular nela e quase voar pela janela.
Agradeço me permitir ver seus cabelos brancos nascer e me deixar envelhecer junto de você.
Eu agradeço a Marisa também, a "semi senhora" que se sentou ao meu lado com uma Bíblia na mão.
Eu quis muito conversar com Deus ontem, quando fiquei sabendo... Foi uma decepção.
Eu precisava fazer uma oração.
Para a minha surpresa eu tive a Marisa com a Bíblia na mão e pedi emprestada.
Meu coração ficou calmo, e derepente eu senti transbordar de mim, do meu ser um conforto idescritível.
Marisa e eu voltamos juntas pra casa, coincidência ou não, brincadeira de Deus, ela mora a duas quadras do meu lar.
O cara não brinca em serviço.

video

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

A minha volta para casa.









Esta foi a nossa produção para a aula de fotografia. Nosso tema era "O Corpo Como Uma Arte".
Nosso foco acabou sendo as tatuagens, o que foi uma surpresa pra mim, porque eu cheguei no total intuito de usar os cabelos de uma colega, que eu acho lindo, a cara da outra, a fotogenia e os traços de outra, pelo fato de ela ser colombiana e estar conosco através de intercâmbio. Queria guardar uma recordação.
Eu levei óculos, laquê de cabelo, o velho Karina, blusas, uma produção que imaginei usar nas minhas colegas, por fim não usei nada. A escolhida para ser fotografada fui eu.
Foi um trabalho em grupo, foi divertido, nada profissional. A única coisa que estava valendo era o valor da nossa nota.
Eu fiz questão de mudar de look para cada colega poder fotografar algo diferente.
É legal isso, é legal sentir este clima entre as pessoas.
Tenho uma colega que está grávida, ela estava no estúdio conosco, o "Juão", o bebê chutou a barriga dela quando ouviu a minha voz. Desde que eu descobri esta barriga eu converso com ela.

Este foi um texto que eu escrevi para um concurso, acredito que não tenha dado em nada.
Acredito também que as pessoas devem viver seus momentos. Devem viver o presente.
Devem se sentir, não devem se esquecer jamais!
Não podem deixar de escutar o coração. Não podem perder a razão.
A razão e a emoção estão sempre em conflito, ponha na balança o que é mais tua amiga. Eles podem te confundir.
Não tenha medo de assumir o sentimento verdadeiro, o teu coração e nem a tua razão.
Seja verdadeiro com você, teu coração e com o próximo.
Isso é pra mim, isso é meu, se tu não gosta do que lê ou o que vê isso aqui não é pra você!
Eu não sou pra você.
Eu não quero ter razão em nada, antes de ter razão eu quero ser feliz.
Isso eu li por uma conversa com uma pessoa que me emocionou.
Foi uma das últimas pessoas que me emocionou.
Ainda vou falar dela.
E olha que me emocionar nos dias de hoje é difícil...

Meu grande passo

Estudei fisioterapia e psicologia. Escolhi sempre a área da saúde, sempre quis fazer algo bom para o próximo. Desisti dos dois cursos.
Era meu lado coração que falava.
Este ano com 28 anos eu só sabia que queria voltar a estudar, eu ainda não sabia o que.
Foi bem na explosão da tal da Gripe A que eu resolvi dar um passo até o México. Por lá eu dei longos passos, longas caminhadas. Senti o vento bater no rosto, provei a sua comida exótica e um dia deitada na cama, olhando para o teto, no silêncio do quarto escuro eu então ouvi meu coração. Desta vez não foi meu lado coração que estava falando, eu realmente ouvi meu coração e quis por em prática o meu prazer maior, o de escrever.
Quando eu decidi o que estudar, quando eu optei por enfrentar a seleção do vestibular novamente estavam tirando o direito de diploma para meu curso escolhido. O jornalismo.
Eu dei mais este passo, eu enfrentei o vestibular, participei desta seleção e estou cursando Jornalismo aonde pego a estradas 5 vezes por semana.
Minha universidade fica a 1hora e meia de distância da minha casa.
Eu dei uma passo ao México na sua crise Gripe A, não tive um espirro.
Eu dei um passo enfrentando novamente o vestibular, onde entre meus colegas e eu a diferença de idade é de quase 10 anos.Eles são de mais, revigoram a alma.
Eu dei um passo investindo em um curso onde o diploma foi tirado.
Estou apaixonada por este meu passo, quero dar tantos passos dentro deste passo que desejo que meus pés fiquem com bolhas.
Estes pra mim não foram só passos, foram pulos.

Eu não tenho medo de dar passos, nem pulos.
Tudo é uma questão de opção. Eu só tenho uma opção, a de escolher qualquer coisa que não vá afetar a vida das pessoas na minha volta.
Se eu for fazer mal pra alguém, que eu faça para mim mesma.

Pois "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

E quem não sabe o que quer não dá valor ao que encontra.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009



Preto? Luto?
Talvez.

Mas eu achei engraçado a minha amiga, uma amiga de muitosss anos comentar hoje sobre esta foto em que eu estou toda de preto. É raro me ver de preto, eu digo que uso de vez em nunca.
Ela por um tempo até chegou a pegar essa mania comigo, de banir peças pretas do guarda-roupa.
Eu fiz questão de hoje colocar esta foto porque nesses dias falei de cores e disse que o preto não combinava comigo, dai hoje este comentário da minha amiga. Não pude deixar passar.

Neste momento estou comemorando!

Vou copiar o mesmo comentário que fiz a pouco para não ter que mudar nada nas palavras:


"Ouvindo Jazz, tomando "água de Reveillon", cantarolando, ensaiando uns passos MUITO mal dançados, que com certeza a Vera Bublitz ficaria com dó de mim e me daria uma bolsa de estudos. Preparando o material para a produção da aula de amanhã e ainda me perguntando se é sorte ou se o cara lá em cima me dá uma atenção em especial. Comemorando algo em especial. Vou continuar dançando..."


Esta minha amiga foi quem criou meu primeiro e-mail, era da BOL, nem sei se ainda existe esta rede. Lembramos disso agora, ficamos rindo.
É uma amiga muito querida, não só ela como sua família. Ela é de Floripa.
Não tem uma vez que eu não passe por lá que não vá na casa de seus pais dar um beijo.
São pessoas realmente especias para mim.
Lembramos daqueles cartões da "Vox Cards", tinha dois em especial para nós. Um deles era de dois ursinhos e tinha uma músinha com uma vozinha muito irritante que dizia isso:

"Você gruda não desegruda e finge que não gruda, você gruda e não desegruda e finge que não gruda. Mas mesmo assim estou atrás de você.
Você gruda não desgruda e finge que não gruda, você gruda não desgruda e finge que não gruda.
Meu mel você caiu do céu."
O outro era de um abacaxi:

"Eu sei que eu sou um abacaxi, sou seu amigo e você tem que engolir.
Eu sei que eu sou um abacaxi, se prepara que eu to chegando ai."

Quando aconteceu o "acidente" das Torres Gêmeas eu estava em Floripa, na casa dela. Estávamos assistindo TV quando tudo aconteceu, eu pensei por um momento que fosse até um novo filme em lançamento.

Eu passei um carnaval na casa dela, eu ODIAVA festas de carnaval. Pra mim sempre foi a mesma coisa, as pessoas pensavam que seria a última festa da vida delas, tentavam agarrar o que passava na frente. Aquelas mesmas falas de todas as noites:

-Caiu do céu e não se machucou?

-Não é Ave Maria, mas é cheia de graça.

-Você é sempre assim ou tá fantasiada?

-Suspende as fritas o filé já chegou!

Ai! Como eu odiova tudo isso!!

Eu passava a noite inteira sentada, dormindo na cadeira com um mau humor que era básico.
O pai dela fazia nós sairmos com uma saia até o joelho.
Isso era hilário, pois nós tinhamos um shortz por baixo.


Naquela epóca se podia pegar carona em Floripa, tudo era mais tranquilo e em uma dessas vezes tinha uns "Juões" parados no meio da estradas e ela chega e fala:

-Meninas aqui vocês não conseguir pegar carona, vão mais pra lá!

Ai! Como isso me faz rir agora, como é bom lembrar disso, como é bom ter lembranças boas das pessoas.

A mãe dela pintou um quadro, eu acompanhei todo este trabalho. O nome dele ficou por "Orquestra". Ela e eu ficávamos por horas analizando este quadro, falando dos detalhes, eu sempre namorei este quadro. Ele um dia teria que ser meu, eu cheguei a falar isso pra ela. Um dia ele voltou comigo pra casa!
Dois anos depois eu comecei a pintar, uma vontade que sempre esteve comigo.




Hojte teve chuva.
Dai eu cantei e dancei na chuva.

Duas opções:

-Singin' in the rain
ou
-Umbrella.

Quem canta seus males espanta!
Vamos gritar, vamos pular...